TEMPESTADE [The Tempest]

Nesta adaptação de "A Tempestade" de William Shakespeare, Bruno Bravo encena reorganizações fonéticas, numa convocação do presente onde a imobilidade e o dinamismo se descobrem em espanto. Próspero, personagem luminoso e sombrio, desterrado numa ilha sem geografia, desencadeia uma tempestade de forma a vingarse

dos inimigos responsáveis pelo seu exílio.

Text William Shakespeare

Adaptation Bruno Bravo

Director Bruno Bravo

Cast Ana Rosa Mendes, António Mortágua,

Daniel Martinho, Giovanni Lourenço,

Joana Campos, Margarida Bento, Zia Soares

Light designer  Alexandre Costa

Music Sérgio Delgado

Scenography/costume designer Stéphane Alberto

Photography Sofia Berberan

Bruno Bravo, encenador

O duque de Milão, amante de livros e mais afeito à sua biblioteca que ao ducado, é traído pelo irmão, que o destitui do cargo. Com a cumplicidade do rei de Nápoles, Próspero é lançado ao mar, com a sua filha de três anos, numa barqueta podre, enfrentado morte certa. Chega, no entanto, a uma ilha. A ilha é habitada por Ariel – um espírito que Próspero liberta dos poderes negros da bruxa Sycorax – e Caliban, filho dessa mesma bruxa.

Tudo começa, no entanto, com uma violenta tempestade. Passaram doze anos desde que Próspero e sua filha chegaram à ilha. Próspero, com a ajuda de Ariel, provoca a tempestade, aproveitando o acaso de os seus inimigos navegarem em mares próximos. Faz chegar à ilha o irmão, António; o rei de Nápoles, Alonso; dois nobres; um conselheiro, Gonçalo; Fernando, filho do rei, sozinho num outro lugar e um bêbado e um bobo, isolados, num terceiro lugar da ilha. Todos incólumes e de roupas secas. Depois desta estranha distribuição no tabuleiro, Próspero inicia o jogo da vingança que serve, também, de laboratório para um estudo da humanidade.

Esta é uma peça onde pouco acontece porque, do ponto de vista narrativo, dir-se-ia que avança sem grandes sobressaltos dramáticos. No entanto, também é uma peça sobre tudo, pelo largo espectro que reflecte sobre a condição humana, onde nada é verdadeiramente luminoso e nada é verdadeiramente sombrio.

Neste espectáculo, calmo e encapelado, como um longo poema dramático, conduzido a várias vozes, confluem palavras de sabores hermetistas, humanistas, utópicos, clássicos, musicais, meta-teatrais, de homens e de espíritos. Nesta versão de câmara, também os actores estão desterrados, luminosos e sombrios como Próspero, para, no

final, também perdoarem tudo.