Faz Escuros nos Olhos

Faz Escuros nos Olhos, com encenação de Rogério de Carvalho, estreou em Abril de 2012 no Institut Français du Portugal.

Em 2013 foi o espectáculo foi distinguido com o Prémio Nacional VIDArte, atribuído pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e pelas Secretarias de Estado da Cultura e dos Assuntos Parlamentares. 

Texto selecção e montagem colectiva

Encenação Rogério de Carvalho

Actores Ana Rosa Mendes, Daniel Martinho,

Gio Lourenço, Matamba Joaquim, Zia Soares

Design de luz Jorge Ribeiro

Fotografia Pauliana Valente Pimentel

Design gráfico Sílvio Rosado

Produção Teatro GRIOT

Duração aprox 1h 20min

M/16

Faz Escuro nos Olhos é um espectáculo, composto por textos de diversos autores, como Sergi Belbel, Sigmund Freud, Virginia Woolf ou Howard Barker. É um aglomerado de histórias independentes ligadas pela mesma tónica: o desequilíbrio das relações humanas, ora assentes no poder ora presas por uma deficiente comunicabilidade, potencial gerador de violência. O encenador e os actores construíram um espectáculo que procura a cadência por detrás dos alvos e dos efeitos da violência. Temas universais como Família, Guerra, Velhice, Infância, Pobreza, Dinheiro são transversais nesta criação.

 

Faz Escuro nos Olhos é um teatro de quase monólogos que se refere em última instância ao (des)afecto. Não há emoção, compromisso, nem pedaços de textos reveladores, nem um único fragmento feliz, apenas um palco, onde os actores, na frente de quem os assiste, ocupam esse lugar onde o abuso tem muitas caras, onde, talvez no silêncio, apareça uma voz que não se pode fazer calar.

Rogério de Carvalho, encenador

“Habitamos de forma constante um universo de vozes. Somos bombardeados por contínuas vozes. Vozes que gritam, sussurram, choram, acariciam, ameaçam, imploram, seduzem, ordenam, rogam, rezam, confessam, aterrorizam, declaram... Mas as palavras falam quando as enfrentamos, nas tonalidades infinitas da voz, ao veicularmos significados. Nem todas as vozes se ouvem, mesmo as mais angustiantes e desesperadas podem ser vozes não ouvidas. Pode ser que no silêncio apareça uma outra voz mais premente, a voz interna, uma voz que não se pode fazer calar.”