
Combate de negro e de cães


Combate de negro e de cães é uma tragédia noturna que se instala num território fechado: um enclave de brancos cercado por uma noite que não lhes pertence.
Nas torres de vigia, pressentem-se os guardas negros que vivem uma contradição estrutural: são servos e vigias, proteção e ameaça, interior e exterior ao mesmo tempo. São a fronteira sonora entre os mundos — as chamadas guturais que ecoam na noite mantêm o cerco, mas fazem-no vibrar, abrindo fendas.
A frágil normalidade do enclave é perturbada pela chegada de Alboury, um homem negro que atravessa o cerco para reclamar o corpo do irmão, Nuofia, morto no estaleiro dos brancos em circunstâncias suspeitas. Ele recusa-se a partir sem o corpo.
Entre as buganvílias e o limite da visibilidade, as explicações falham por excesso: palavras que desviam, justificam, omitem. O conflito adensa-se entre estratégias que se acumulam e se anulam.
Não há esperança: o corpo desapareceu e não será devolvido.
Alboury lidera e opera uma revolta que não se anuncia: o trágico é um assédio sonoro, territorial, imparável.
O Teatro GRIOT dá continuidade à sua investigação sobre como o poder se organiza, como a linguagem o sustenta e como a presença do outro o desestabiliza. Com Combate de negro e de cães, aprofunda a relação com o universo de Bernard-Marie Koltès, iniciada em 2024 com Na solidão dos campos de algodão.
texto Bernard-Marie Koltès
encenação Zia Soares
tradução Jorge Tomé
revisão estilística Thomas Coumans
interpretação António Simão, Matamba Joaquim, São José Correia, Thomas Coumans
cenografia e figurinos Neusa Trovoada
música e design de som Xullaji
design de luz Ricardo Campos
tradução e elocução dos textos em Wolof Mamadou Ba
assistência Anca Usurelu, Grazie Pacheco
produção Teatro GRIOT | co-produção Teatro José Lúcio da Silva
apoios Câmara Municipal de Leiria, Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga, Batoto Yetu, BANTUMEN, Polo Cultural Gaivotas Boavista, Teatro do Bairro
Projeto financiado por Câmara Municipal de Lisboa, República Portuguesa – Cultura Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
agradecimentos Rui Pina Coelho
