Modos de Ocupar ⁄ Dedos na ferida, mãos na cultura

Teatro Municipal do Porto (Rivoli), 23 Setembro 2020


Moderação Pedro Santos Guerreiro

Participação Marta Martins (Directora executiva da Artemrede), Paulo Brandão (Director artístico do Theatro Circo), Pedro Quintela (Sociólogo, consultor e investigador), Rui Moreira (Presidente da Câmara Municipal do Porto), Teresa Coutinho (Criadora e actriz, membro da Açcão Cooperativista) e Zia Soares (Encenadora e actriz, directora artística do Teatro GRIOT)


“Neste biénio que nós (Teatro Griot) não fomos apoiados, apesar de sermos elegíveis, (...) há uma apreciação do júri que destaca que o trabalho da companhia é em larga medida desenvolvido em ‘bairros desfavorecidos’ e pouco em ‘espaços de relevo’. (...) Avaliadores que conseguem olhar para o mundo desta forma, em que há os “bairros desfavorecidos” e há os “espaços de relevo”... há aqui uma clivagem imensa e há uma visão do mundo absolutamente anacrónica. (...) A perpetuação deste tipo de avaliações acaba por contribuir de forma sub-reptícia para a criação de uma sociedade que caminha para um sítio muito perigoso. Uma sociedade que começa a olhar para ela própria como habitando num espaço em que há bairros desfavorecidos e espaços de relevo é absolutamente preocupante.”


“Quando se fala em democratizar há aqui quase uma inversão de perspectiva, porque uma coisa é democratizar, outra coisa é a democracia. Em termos absolutos uma democracia não necessita de democratizar.”


Zia Soares